Azul

o reencontro com uma alma que existe dentro de um corpo etéro desprovido de lógica

20 junho 2006

Que bela tarde!!!

A casa acordou em silêncio!
Não se ouviam despertadores, não se ouviam vozes, músicas ou passos. Parecia não estar ninguém!
Depois de ter percorrido as imagens da noite anterior, sentou-se calmamente no terraço a ouvir os passarinhos e a degustar uns cereais doces e com crocantes de avelã e mel.
Deixou-se levar pela brisa fresca que se fazia sentir no meio do calor e sentiu-se em paz.
Mirou o espelho e pensou “esta sou eu; esta hoje sou mesmo eu”.
Tinha calçado as sandálias castanhas de corda com salto alto e, de facto, essa era uma característica sua, combinando as cores das roupas com as bijuterias.
Saiu de casa e, por momentos, caminhou sob as tílias do jardim e recordou as boas brincadeiras na “escola da avó”.
Por momentos sentiu-se menina outra vez e foi tão bom.
A tarde havia começado bem para ela!

13 junho 2006

13 de Junho

Depois de uma mensagem de parabéns ao meu amigo Alexandre, eis que surge a resposta de: “Ainda hoje tinha pensado que este ano ninguém me tinha mandado mensagens ‘fora de tempo’. Mas como diz aquela frase gira: o que conta é a intenção. Até acho uma certa piada que assim seja. Obrigada por te lembrares. Beijo”
Estranhamente, eu já achava que este não era o dia correcto e como tal pedi imensas desculpas, até porque dia 11, o verdadeiro, era facílimo de memorizar, ao que obtive outra resposta: “Mas não percebeste ainda que acho isso uma coisa gira? (ou talvez seja o teu inconsciente a achar que mais ninguém pode ter o seu dia no mesmo dia que tu?) Atreve-te a dar-me os parabéns no dia certo que tu vais ver. Beijo”

Hoje só tu me fazias rir com esta troca de mensagens!
Obrigada!

Pensei em escrever...

Hoje pensei em escrever! Não sei o quê, nem de quem, nem para quem, nem rigorosamente nada.
Talvez pense que o dia tenha sido inútil, mas ao mesmo tempo acredito que não! Depois de mais de 12horas passadas entre o colchão e o edredon, resolvi que tinha de sair de casa, independentemente do calor que se fizesse sentir.
Tem estado um dia abrasador, daqueles em que mal se consegue respirar, mas mesmo assim as 5 horas da tarde é sempre uma boa hora para sair.
Aqui, neste lugar onde me sento e calmamente aprecio o meu café, está um ambiente calmo e sereno. A brisa faz-se sentir e a paz com que se está intensifica-se a cada momento.
Ontem li qualquer coisa de fantástico que alguém especial me enviou! Fiquei deveras contente pela mensagem que me transmitia, aliás como sempre.
Só vou ter dificuldade em fazer uma das coisas que me é dita! Agradecer-me! Mas como? Já pensei nisso (apenas depois de ter lido o que li), mas continuo na dúvida.
Eu sou capaz de entender que há muitas coisas que faço que valem a pena para mim, não para os outros, mas agradecer-me? Parece demasiado óbvio, mas porque não? Porque não pensar nisso como na velha história do se eu não gostar de mim, quem gostará?

Há pessoas que já jantam
Eu porem saboreio a brisa
Recordo as tardes de verão
Em plena costa alentejana

E regresso à realidade

Depois de mais um momento de reflexão seguido de outro de distracção vêm-me à memória situações vivenciadas num espaço que não é, nunca foi e nunca será o meu. É tudo frio, fugaz, indiferente e desprovido de sentido.
Vivo cercada de mim mesma, numa solidão desmedida. Uma solidão que finalmente aprecio.
Talvez tivesse mesmo que passar 6 meses noutro país, com outras pessoas para a entender, para a saborear, para a saber viver. Mas dói tanto! Dói tanto como levar uma sova! E eu nunca levei nenhuma

(levei um estalo
e bem o merecia
... o desrespeito tem destas coisas)

Mas é um facto que por muito saborosa que seja esta solidão, ela acaba por ser muito sofrida. O eterno paradoxo do ser pensante. Mau para ser bom, duro para ser entendido, sofrido para ser apreciado! E que paradoxo!
Continuo à espera de saber dar resposta àquilo que nem eu própria sei que pergunto. Porque afinal de contas, que raio de pergunta é a minha que me direcciona para uma qualquer resposta, que nem eu sei qual é!
Pareço um explorador em busca do tesouro escondido, um tesouro que não sei qual é, um tesouro sem mapa, um tesouro sem rosto.
Pelo caminho encontrei um papiro há muito encarcerado numa caixa. Um papiro que me fez reapreciar uma espiritualidade que eu pensava perdida, mas que apenas andava velada por um sentimento de raiva associado àquilo que não tem associação. Esse papiro, recuperei-o e recuperei-me a mim também nalguns aspectos.

Lá em cima no campanário
Há um sino adormecido
Numa torre que se esconde por detrás das heras.

(aqui ninguém nos olha como se fossemos uns estranhos transeuntes, loucos por deixarmos as canetas correrem ao sabor do pensamento que vagueia num cérebro com sinapses tão desprovidas de nexo como de conteúdo)

Hoje ainda é cedo para saber o que foi, o que é, o que será aquilo que vivi ou aquilo que vivo.
Há momentos em que sei que isto é uma mais-valia, mesmo que com dor, mas voltaríamos ao eterno paradoxo do ser, outros em que me parece apenas uma tempestade em alto mar, da qual espero sair ilesa.
Já falta pouco para o final da viagem por alto mar.

(várias vezes me questiono sobre a necessidade de ser, de estar, de viver, mas pouco ou nada concluo!)

12 junho 2006

Ela...

Entrou novamente naquela rotina que não queria. Encarcerava-se num espaço, qualquer que fosse ele e deixava-se estar. Perdia-se no tempo e do mundo que a rodeava, quer fosse ele bom ou mau, interactivo ou não.
E a única pergunta que insistia no seu espírito era "Quem sou eu?" Repetiu-a tantas vezes que acabou por desistir.
Nenhuma foi a conclusão que tirou, apenas percebeu que "era". "Era" qualquer coisa que estava algures, sem perceber com que objectivos, nem com que mais valias. Sentia-se um formiga esborrachada por pés gigantes, com poderes de destruir vidas, porque simplesmente os mais fracos existem e não têm capacidade de defesa.
E voltou a questionar-se "mas se eu tenho tantas defesas, porque raio não consigo desviar-me das pisadelas de gigantes? Porque raio não consigo eu usar as minhas defesas para me ultrapassar?"
Nada foi o que conseguiu pensar e nada foi o que conseguiu concluir.
Desespera a cada momento que se vê posta de lado, tratada como um objecto sem valor e sem sentido nenhum, que apenas existe porque sim.
Odeia esta vida. Odeia este tempo. Odeia aquilo que a rodeia.

08 junho 2006

Natureza


Uma borboleta lilás minúscula pousou num trevo!
Abriu as asas ao máximo e deixou-se estar ao sol.
10 segundos depois levantou vôo e foi para outro trevo, enquanto eu permanecia no meio do jardim a ouvir os passarinhos e a água do lago! A saborear o calor do sol e a relva nos meus pés descalcos! Só me faltava uma coisa: abracar a árvore que está à minha direita, com um tronco largo e um tamanho considerável! Está com certeza enraizada e é disso que preciso. Forca da Natureza.
O abraco demorou apenas alguns segundos, mas senti uma energia de tal forma positiva que passei o resto do dia a sorrir!